XI - Ilha de Páscoa
É chamada de Rapa Nui (o umbigo do mundo) pelos nativos.
Possui uma área de 390 Km² e uma população de cerca de três mil pessoas, concentradas na maioria
no único povoado da ilha: Hanga Roa, situado no litoral Sudeste. É uma ilha da Polinésia,
distante 3.600 Km da costa chilena.
É de origem vulcânica e surge abruptamente do mar,
com altitudes, variando entre 200 e 500 m; é recoberta por uma savana baixa e herbácea,
irrigada por raros cursos de água que surgem de acúmulos nas crateras de vulcões extintos.
As atividades econômicas da ilha são agricultura (trigo, milho, inhame e frutas tropicais),
criação de ovelhas e turismo.
Os maiores atrativos da ilha são os "moais" (cabeças gigantescas talhadas na rocha vulcânicas),
estátuas de madeira (toromiro) e tábuas contendo inscrições hieroglificas.
Um dos maiores mistérios dos "moais" (cerca de 300) é o fato de pertecerem todos ao mesmo tipo
e só lá se encontrarem . Daí as lendas de que a Ilha de Páscoa teria sido parte de um continente
desaparecido sob as águas. Mas há indícios de que os seus habitantes vieram de alguma ilha do
Oceano Pacífico, provavelmente das Ilhas Marquesas e Mangareva. Estes habitantes deveriam ter
pertencido a dois grupos distintos: um caracterizado pelo exótico costume de furar orelhas e
ali introduzir objetos cada vez maiores até que elas chegassem aos ombros eram os
"orelhas-compridas", gente enérgica e ativa; o outro, os orelhas curtas eram obrigados a
trabalhar para eles, esculpir estátuas e erguer muralhas.
No decorrer dos séculos surgiram lutas entre clãs,exploradores, escravagistas brutais e doenças
trazidas por navegadores que praticamente dizinaram a população que atingia 16 mil e na época da
Páscoa de 1722, quando o holandês Roggeveen visitou a ilha, habitavam-na poucos milhares de
pessoas.
Em 1786, o francês La Perouse há desembarcou e constatou a existência de refúgios secretos e
cavernas subterrâneas onde se abrigavam os nativos. Este viajante percebeu que as enormes
estátuas de pedra não deveriam ser apenas ídolos, mas monumentos erguidos em memória de pessoas
muito importantes.
Em 9 de setembro de 1888, o Chile tomou posse da ilha definitivamente.
Em 1914, a inglesa Katterine Routledge fotografou tudo na ilha, mas suas anotações científicas
se perderam.
Os primeiros arqueólogos a chegarem a ilha foram Thor Heyerdhal, Reed e Skjolsvold em 1953.
Esta expedição se estabeleceu no Vale de Anakena onde havia vestígios de uma prandeza desaparecida.
Encontraram colossos de pedra com os rostos enterrados na areia, restos das estradas antigas,
pantanais e águas nas crateras de vulcões.
Junto a costa, havia uma certa quantidade de poços antigos; a população acostumara-se a água
salobra, interceptada dos veios subterrâneos. Um labirinto de túneis cortava a ilha; os
exploradores percorreram milhares destes corredores subterrâneos onde descobriram
pontas-de-lança, osso e detritos, provas de canibalismo. Junto a um precipício, através de um
caminho íngrime, foram guiados a uma caverna das Virgens onde pobres meninas permaneciam
sentadas na escuridão, à espera de que sua pele ficasse mais clara.
Na enigmática história da Ilha de Páscoa, descobriu-se a existência de três épocas distintas:
a primeira com um povo de cultura altamente especializada e técnica de alvenaria típica dos
incas que cortavam os blocos de basaldo com facilidade e os ajustaram sem fresta alguma; a
segunda corresponde a do levantamento das gigantescas estátuas de forma humana, de costas
voltadas para o mar e transformadas em câmaras de sepultamento. Mas, quando uma onda de
canibalismo varreu a ilha, a vida cultural interrompeu-se e as estátuas foram derrubadas.
Os pascoenses, como todos os povos polinésios, são extramamente afáveis e possuem um grande
instinto musical. Frequentemente são organizadas na ilha bailes tradicionais, seguidos de
festejos (sau sau) que fazem a delícia dos visitantes.
Ruter Hiroce.
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