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Diário de Bordo




XII - Canal do Panamá

Estive no Panamá em 1974 para participar de um congresso de agronomia.

É um País criado artificialmente em novembro de 1903 para atender os interesses dos Estados Unidos na construção de um Canal para ligar os Oceanos Atlântico e Pacífico. A sua criação lembra bem a fábula em que o leão fez uma sociedade com três outros animais para caçar uma zebra. O leão, mais ágil, pegou a caça e dividiu-a em quatro pedaços. Por fim o leão ficou com os quatro pedaços, alegando ter pego a caça, ser o rei dos animais, ter idealizado a sociedade e, usando o direito da força, disse: "Quero ver aquele que põe a mão no último pedaço."

Em 1751, o Panamá optou por fazer parte da Gran Colômbia que incluia Venezuela.

Em 1821, Simon Bolivar proclama Indepêndencia dessa região.

Em 1850, os Estados Unidos e a Inglaterra entraram em acordo para controle da ferrovia e construção de Canal. Os Estados Unidos construiram a ferrovia transcontinental em 1855 com um custo de 8 milhões de dólares e 25.000 vidas.

Em 1879, uma empresa francesa liderada por Ferdinand Lesseps ganha concessão para construir um Canal e controle de ferrovia; mas a má administração, a febre amarela e malária provocaram a morte de 22 mil trabalhadores e o empreendimento vai a falência, 10 anos depois.

Em 1901, foi revogado o acordo entre os Estados Unidos e a Inglaterra e o primeiro país ficou com o direito exclusivo da construção e administração do Canal.

O passo seguinte foi a compra de ações francesas por 40 milhões de dólares e consideravam sem valor as 50.000 ações do governo columbiano. O senado colombiano não tendo autorizado a construção do Canal, os Estados Unidos provocaram a libertação do Panamá, em 1903, mediante a força militar.

Em 1904, a Constituição do Panamá concedia o direito de intervenção norte-americano no País. (Por isso, em dezembro de 1989, os Estados Unidos invadiram o Panamá, capturaram Manuel Antonio Noriega, comandante das Forças de Defesa, e levaram para a prisão na Flórida, sendo julgado e condenado a 40 anos de prisão). O novo governo panamenho concedeu o arrendamento perpétuo do Canal na faixa de 16 Km de largura, inclusive a ferrovia de 77 Km e 1432 Km² de área , mais 5 Km mar adentro em cada Oceano, mediante a indenização de 10 milhões de dólares e pagamento anual de 250 mil dólares, atualizados para 1,9 milhões, em 1955, enquanto a renda do Canal era de 130 milhões nesta época, chegando a 480 milhões em 1993.

O Canal tem 82 Km de extensão, 91,5m de largura mínima, 26m de profundidade e três eclusas duplas (304 x 33,5m) o que impede a navegação de navios com mais de 60 toneladas. Sua travessia leva de 16 a 20 horas. Em 1996, passaram por ele 15.187 navios.

Ruter Hiroce.